Dona Matuta: o design como ferramenta de criação coletiva
- 22 de out. de 2025
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Atualizado: 25 de out. de 2025

Na Quadrilha Junina Dona Matuta, o figurino é mais que uma roupa de cena. Ele é o resultado de um processo coletivo que une arte, gestão e design. Sob a direção criativa de George Araújo, arquiteto e urbanista, a quadrilha se destaca pela forma como estrutura o processo de criação dos trajes e de todo o espetáculo, equilibrando conceito, técnica e emoção.
Autodidata na área da moda e apaixonado pela cultura junina desde os 15 anos, George atua como projetista, o profissional que pensa o tema, desenvolve o figurino e coordena o espetáculo. Para ele, o trabalho vai muito além do desenho. Envolve gestão de recursos, cronogramas, equipes e materiais, como em um projeto de design complexo e colaborativo.
O processo criativo da Dona Matuta começa com a definição do tema central, que orienta toda a pesquisa visual, de materiais e cores. A partir daí, o figurinista cria uma narrativa com início, meio e fim, em que o figurino comunica parte essencial da história. Cada escolha, da modelagem ao brilho dos tecidos, tem a função de dar legibilidade à dança e harmonia ao conjunto cênico, evitando o excesso de informação e reforçando o impacto visual coletivo dos cerca de 100 casais que compõem a quadrilha.
Um dos diferenciais da Dona Matuta é o caráter formativo do seu processo. Antes de cada ciclo junino, a equipe realiza seminários internos para apresentar o conceito, os protótipos e as referências de cada figurino. É um momento de aprendizado e envolvimento, em que dançarinos e equipe trocam percepções sobre conforto, movimento e narrativa. Isso garante que cada traje funcione como uma verdadeira ferramenta de dança, nas palavras de George.
Na Dona Matuta, o figurino se torna elo entre tradição e inovação, reforçando o sentido coletivo da cultura popular e o valor do design como linguagem. Cada peça traduz a força de uma equipe que transforma pesquisa, improviso e paixão em espetáculo.


